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Canções
de armar e desarmar
[Lançamento
previsto para maio de 2007]
O mais recente
projeto, desenvolvido em parceria com Cardo
Peixoto, Ricardo Fragoso e participação
especial de Paulo Timm |
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01
- Caminhos de Si (Martim
César)
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Quem olha
dentro de si
Vê um outro continente
Navega em mares sem fim
Que só existem
na gente
E em cada porto procura
Qual a razão de estar vivo
Mas quanto mais se pergunta
Menos entende o motivo
O tempo que corre fora
Não é o que corre por dentro
Pois um se mede por horas
O outro... por sentimentos
Um se adivinha no espelho
Nas rugas que vão crescendo
O outro... está no silêncio
Dos sonhos que vão morrendo
Quem olha dentro de si
Enxerga um mundo do avesso
Compreende que não há fim
No que não teve começo
Descobre que o seu destino
É se perder, sem saída
Nesse humano labirinto
A que chamamos de vida
Recitado: Paulo
Timm
Violoncello: Leonardo
Oxley
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02 - Num
velho baú sem chave (Martim
César - Paulo Timm) |
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Na bússola
enferrujada
De um navegante sem nave
A vida ficou trancada
Num velho baú sem chave
Há um navio prisioneiro
No porto de uma garrafa
E um relógio onde o tempo
Há muito tempo não passa
Uma âncora na parede
De um marinheiro sem mar
Parece morrer de sede...
Não encontra ali seu lugar
Um pergaminho entreaberto
Deixa antever-se um poema
Quem saberá o mistério
Da mão que empunhou a pena?
Restou somente um fantasma
Que à noite folheia livros
E de manhã se disfarça
Porque tem medo dos vivos
Que às vezes, só,
se rebela
E se nega a aceitar o adeus
Prendendo lumes e velas
Sonhando que não morreu
Arranjo:
Leonardo Oxley
Violão aço: Paulo
Timm
Baixo: Fabrício
Moura
Violoncello e teclado:
Leonardo Oxley
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03 - Luz
andaluz (Martim
César - Hélio Ramirez)
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O Pampa delira
nos versos de Borges
Onde o tempo circula e o que foi voltará
Artigas traído cavalga ao exílio
E o brilho de Halley se faz lua no olhar
A carreta que cruza uma estrada
sem fim
Vê o primeiro avião navegando
no céu
Um visionário constrói seu
castelo no campo
E Neruda povoa de magia o papel
Luz andaluz
Estrela cadente brilhando pra sempre
Nas noites do sul
Quintana caminha pelas ruas
de um porto
E o Guaíba eterniza mais um pôr-de-sol
Atahualpa professa seu silêncio profundo
Nos bares do mundo Elis Regina solta sua
voz
Garibaldi descobre a coragem
de Anita
E nas missões jesuítas bate
um sino outra vez
Uma rádio anuncia que Gardel já
partiu
Mas seu quadro sorri desde un viejo almacen
Luz andaluz
Estrela cadente brilhando pra sempre
Nas noites do sul
Arranjo
instrumental: Leonardo
Oxley
Arranjo vocal: Hélio
Mandeco
Violões aço e nylon: Paulo
Timm
Baixo e bandolim: Fabrício
Moura
Violino: Leonardo
Oxley
Vocal: Hélio
Mandeco e Paulo Timm
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04 - De uma
antiga rebeldía (Martim
César - Paulo Timm) |
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Parado aqui
Olhando a estrada passar por mim
Eu não entendo porque a vida mudou
assim
Aquele olhar de rebeldia, que tive um dia,
Já não é meu
Talvez meu filho resgate o brilho
Que se perdeu
Que valem agora as velhas poesias
Que amarelam escondidas
Nas gavetas do meu quarto
E aquele sorriso, quase triste,
Que ainda insiste
Na moldura do retrato?
Que valem agora tantos planos
Tantos enganos cometidos sobre o bronze
Que ninguém mais pode mudar?
Que valem agora meus milhares de motivos
Já esquecidos sob a poeira destes
anos?
Se na verdade eu me perdi...
E eu descobri que na vida jamais se pode
parar.
Arranjo: Paulo
Timm e Hélio Ramirez
Violão aço: Paulo
Timm
Baixo: Fabrício
Moura
Teclado: Hélio
Mandeco
Harmônica: Hélio
Ramirez
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05 - Delírio
(Martim César)
Pesadelo (Hélio
Ramirez) |
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Deliro! E
em meu delírio, feito um doido, eu
pressinto
Que hoje me encontro sob as regras de outro
plano
Onde só digo a verdade - na verdade
- quando minto
Onde o tempo não existe e a vida
é um grande engano
Um minotauro corre a esmo em seu infindo
labirinto
Temeroso de encontrar, outra vez, um ser
humano
Há milênios não compreende
seu destino desumano
De viver em um pesadelo e morrer por ser
distinto
Fera ou homem? Neste quadro
em que eu me pinto
Pouco importa. São tão iguais
logo após cair o pano
E se eu sou ambos, toda a dor que imponho
e sinto
É duplicada
pelo espelho, onde vejo um ser extinto
Quero voltar à realidade, mas é
tarde!... o cotidiano
É um vampiro confundido entre sangue
e vinho tinto.
Pesadelo
Dormi mais irreal do que
real
Sonhando em sonhar pingos de mel
Mas uma espada caiu por trás de um
cirrus
Cravando minha língua num bornal
Animal
Animal inquisidor, patas geométricas
Boca da noite, dedo duro, mão de
algoz
Pôs-me em leilão... me desfez
em iogurte
Iogurte, requeijão coloidal
E senti minha hora então chegar
Gog e Magog, chocalho cascavel
E um rio de massas Isabela
Num assombro me levou um turbilhão
E ri, como ri um fariseu
E chorei feito um bezerro desmamado
Pulei o muro do inconsciente feito um gato
Me desfiz como uma bola de sabão
Não!
Meu violão apunhalado...
Meu violão apunhalado, meu violão
apunhalado!
Poema: Martim
César
Recitado: Jorge Passos
Arranjo: Leonardo Oxley
e Fabrício Moura
Violão e bandolim: Fabrício
Moura
Violoncello: Leonardo
Oxley
PESADELO
Arranjo: Leonardo Oxley
e Fabrício Moura
Baixo, violão e bandolim:
Fabrício Moura
Violoncello e violino: Leonardo
Oxley
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06 - Mensaje
al mar (Martim César
- Paulo Timm) |
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Me queda un
sueño todavía
Como un pájaro cautivo
Que escapó de su prisión
Me queda un sueño todavía
Como una estrella que en la noche
Quiere aún volverse sol
Como una carta de amor en el bolsillo
Del soldado que murió
No llegará, pero quizás...
Me queda un sueño todavía
Como una hoja que en el viento
Vuela y vuela sin parar
Como un mensage en la boteja
Que un náufrago hecha al mar
No llegará, pero quizás...
Me queda un sueño y todavía
Tengo esperanzas que un día
Mi soñar sea verdad
Quizás aún yo pueda ver
En esta tierra americana la verdadera libertad
No llegará, pero quizás...
Arranjo: Leonardo
Oxley e Sulivan Mello
Violão aço:
Hélio Mandeco
Baixo: Fabrício
Moura
Cello, violino e viola: Leonardo
Oxley
Vocal: Hélio Mandeco
e Paulo Timm
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07 - Canção
dos deserdados (Martim
César - Hélio Ramirez)
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Esquecidos,
nestas pátrias esquecidas
Seguimos engendrando a nossa arte
Insistindo em fazermos nossa parte
Semeando flores entre as ruínas desta
vida
Deserdados, destas terras
deserdadas
Vivemos de buscar outro destino
Corpo adulto, mas a alma de menino
Mente aberta pras manhãs ensolaradas
Divididos, nestas pátrias
divididas
Separados por fronteiras invisíveis
Dom Quixotes de bandeiras impossíveis
De uma América que sonhávamos
unida
Explorados, nestas nações
exploradas
Ainda lutamos em defesa da alegria
Acreditando que é real nossa utopia
Há de chegar a igualdade tão
sonhada
Viajantes, companheiros desta
estrada
Onde tudo se faz nada no engano de uma curva
Caminhantes, sonhadores deste tempo
Onde a vida é só momento,
uma luz na noite escura
Arranjo instrumental:
Leonardo Oxley e Hélio Ramirez
Arranjo vocal: Paulo
Timm e Hélio Mandeco
Violões aço e nylon: Paulo
Timm
Baixo: Fabrício
Moura
Percussão: Líber
Bermudez
Violino: Leonardo Oxley
Vocal: Paulo Timm e Hélio
Mandeco
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08 - O sonho
de Cervantes (Martim
César - Paulo Timm) |
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Existe,
sim! Existirá depois! E já existia
antes!
Esse estranho sonho que sonhou Cervantes
E que sempre é o dilema de cada ser
humano... Existe,
sim! Já existia antes! E existirá
depois!
Porque como Cervantes também somos
dois
Por vezes Quixote... por vezes Quijano...
Quijano entre seus livros,
sonhando a aventura
Quixote em seu cavalo, com lança
e armadura
(Que adormeça a realidade, o sonho
é mais real)
Quijano envelhecendo em seu
comum destino
Quixote – o corpo ereto, a alma de
menino
O heróico cavaleiro sempre em luta
contra o mal.
Arranjo: Paulo
Timm, Fabrício Moura e Ênio
Sieburger
Violão base e solo: Paulo
Timm
Baixo e bandolim: Fabrício
Moura
Percussão: Ênio
Sieburger
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09 - Maria,
Charqueadas e Fronteiras
(Hélio
Ramirez) |
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Maria nasceu
à noite, banhada pela geada
Com gritos de quero-queros, em meio de risos
e festas
Nobre filha do patrão, espanhol sangue
nas veias
A charqueada era o mundo e o mundo o fim
da estrada
Até onde a vista alcança,
pois o sonho alcança mais
Maria cresceu faceira, moça alegre,
corpo quente
Leite de mãe preta lhe moldou o coração
Carne, sal, mula, carreta, carne escrava
sob o sol
Sal, salmoura e chibata, carreta, junta
de boi
Vela branca, mar aberto, outras terras além-mar
Maria moça é negócio
pra mais de mil patacões
Seus sentimentos importam?Marias não
têm opiniões
Felipe Soares Sosa, espada, dinheiro, ambição
Velho mocho, corpo frio, na cama perdeu
o poder
Com mulas caminhadeiras, meu Brasil,
Minha Banda Oriental
Maria viveu triste, sufocando sentimentos
Destruindo a mulher que havia dentro de
si
Carne, sal, mula, carreta, carne escrava
sob o sol
Sal, salmoura e chibata, carreta, junta
de boi
Vela branca, mar aberto, outras terras além-mar
Arranjo:
Leonardo Oxley, Egbert Parada e Fabrício
Moura
Baixo e violão: Fabrício
Moura
Violoncello, violino e viola: Leonardo
Oxley
Vocal: Claúdio
Vieira
Violão solo: Egbert
Parada
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10 - Ameríndia
(Martim César -
Paulo Timm) |
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Quando eles
vieram tão pouco possuíam
Porém se diziam donos desta terra
Trouxeram a guerra e doenças estranhas
Relegando um povo à dor e à
miséria
Roubaram das matas a verde alegria
Quebrando a harmonia milenar deste chão
Despertaram a erosão que devora a
planura
E inventaram na América a palavra
extinção
Banharam de sangue os rios, antes puros
Levantando seus muros, cidades, prisões
Mataram milhões evocando a um Deus
Condenando uma raça a não
ter mais futuro
Mas será que não somos mais
índios que brancos?
Será que esta América não
é mesmo Índia?
Quando eles vieram com seus armamentos
Já não houve mais tempo para
a ingenuidade
Sobrou falsidade na jura dos reis
Na (in) justiça das leis só
desigualdade
Hoje as tintas de guerra já não
pintam guerreiros
Mas tão só prisioneiros que
em reservas mal vistas
Margeiam autopistas vendendo lembranças
Adornos e enfeites para o lar dos turistas
Já não mais se escuta nas
florestas e campos
A pureza dos cantos de mil tribos libertas
Mas talvez ainda ecoe nos acordes do vento
O terrível lamento de uma terra deserta!
Mas será que não somos mais
índios que brancos?
Será que esta América não
é mesmo Índia?
Arranjo instrumental: Paulo
Timm
Arranjo vocal:
Paulo Timm, Hélio
Mandeco e Maria Conceição
Violões base e solo:
Paulo Timm
Baixo, charango e bombo: Fabrício
Moura
Quena, zampoña e moseño: Marcos
Rosa
Vocal: Paulo Timm, Hélio
Mandeco e Maria Conceição
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11 - Estragos
da solidão (Vasco
Veleda) |
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Me ocorreu
uma visagem
Pela claridade da lembrança morta
Foi um vento de saudade
Que só por maldade veio abrir-me
a porta
Tenho um medo contorcido
Que no meu ouvido vive incomodando
É o fantasma do teu riso
Que ficou comigo pra me ver chorando
Chuto os baldes da memória
Procurando cacos de antigos afetos
Tenho aperos de ciúmes e sinto os
teus perfumes
Em pleno campo aberto
Fica o corpo nessa lida
Sacudindo a vida, procurando achegos
Mas a alma desembesta
Esculhambando a festa, te buscando a esmo
Tua imagem está guardada
Num galpão de cismas se embalando
à toa
Feito um quadro na parede
Meu olhar pressente, se ressente e voa
O meu peito anda sentido
Meio ressentido dessas madrugadas
Entre milongas e livros
Vou forrando estribos e trançando
mágoas
Arranjo:
Aluísio Rochemback
Baixo: Fabrício
Moura
Violões base e solo: Paulo
Timm
Acordeón: Aluísio
Rochemback
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12 - Caminhos
do tempo infindo
(Martim César - Paulo Timm - Hélio
Ramirez) |
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Dos Mouros
eu trago o semblante moreno
E o destino estradeiro de andar mundo afora
Da Ibéria meu canto e o calor do
meu sangue
E do Pampa até os Andes a minha viva
memória
Don Quixote ainda singra as planuras de
Espanha
Rumo a outras façanhas junto ao seu
escudeiro
Onde El Cid renasce e entre o amor e a bravura
Faz reinar a ternura no coração
de um guerreiro
Sou raiz de uma história que carrego
no olhar
Sou um pouco de mar, e outro tanto de terra
Sou montanha, sou serra e o sem fim do deserto
Eu sou também campo aberto, rio do
tempo a passar.
Saladino unifica mil tribos dispersas
E aos quatro ventos professa a vontade de
Alá
Os Cruzados carregam suas bandeiras cristãs
E entre a cruz e o Islã, só
quem perde é a paz
Morre a raça Ameríndia sem
direito ao futuro
E entre cercas e muros vai um povo sem terra
Quero a voz de outro mundo, do começo
até o fim
Há um menino hoje em mim, já
cansado de guerra
Recitado: Xirú
Antunes
Arranjo instrumental: Egbert
Parada
Arranjo vocal: Hélio
Mandeco
Violões base e solo e palmas: Egbert
Parada
Baixo e bandolim: Fabrício
Moura
Vocal: Paulo Timm e Hélio
Mandeco
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13 - Ao cair
da tarde (Martim
César - Paulo Timm) |
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É hora
de arrumar as malas e ir
Partir e o coração ficar
Deixar a vida me levar e seguir...
E os sonhos e os amores
Deixo pelas noites, bares
Lugares onde eu vou
Lá fora o mundo não
espera por mim
Insiste em me fazer mudar
Girar na sua esfera sem fim
Meus passos nessa estrada
Deixam as pegadas,
De um sonho que já terminou
Agora longe vão meus
dias de paz
É hora de lutar
Embora o coração, que não
deixou o cais
Me peça pra voltar
E bate uma saudade
De tomar um mate na beira do rio
Ao cair da tarde
Me bate uma saudade
De tomar um mate na beira do rio.
Arranjo instrumental: Leonardo
Oxley
Arranjo vocal: Hélio
Mandeco
Violões aço e nylon:
Paulo Timm
Baixo: Fabrício
Moura
Violino: Leonardo Oxley
Teclado: Hélio
Mandeco
Vocal: Hélio Mandeco
e Paulo Timm
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14
- Temporal de Santa Rosa (Martim
César - Paulo Timm - Régis Bardini) |
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Lá fora se apruma o
tempo
Temporal de chuva e vento
Carregando a escuridão
Cá dentro o mesmo alvoroço
O mesmo ar de retoço
De saudade e solidão Minha vó
cortava em cruz
Com machado e fé em Deus
Os perigos da tormenta
Minha vó - doce lembrança
Do meu tempo de criança
Do jardim e d’água benta
Os antigos professavam
Fim de agosto, Santa Rosa
Vem tropeando seus trovões
Não se cruza os alambrados
Que neles brincam os raios
Partindo ao meio os moirões
Lá fora o céu veio abaixo
E o vento reponta ao tranco
A tropilha do aguaceiro
Cá dentro o peito se acalma
Talvez pra forjar a lágrima
Que vai vir de sinuelo
Naqueles dias - me lembro
Minha mãe tapava espelhos
Com medo desses mandados
Trancava portas e Janelas
Pois sendo chuva de pedra
O estrago vinha dobrado
Arranjo: Régis
Bardini
Violão base: Paulo
Timm
Violão solo: Régis
Bardini
Acordeón: Aluísio
Rochemback
Baixo e charango: Fabrício
Moura
Percussão: Alencar
Feijó
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15
- Caminhos de Si (Martim
César - Hélio Ramirez)
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Quem olha dentro de si
Vê um outro continente
Navega em mares sem fim
Que só existem na gente E em cada
porto procura
Qual a razão de estar vivo
Mas quanto mais se pergunta
Menos entende o motivo
O tempo que corre fora
Não é o que corre por dentro
Pois um se mede por horas
O outro... por sentimentos
Um se adivinha no espelho
Nas rugas que vão crescendo
O outro... está no silêncio
Dos sonhos que vão morrendo
Quem olha dentro de si
Enxerga um mundo do avesso
Compreende que não há fim
No que não teve começo
Descobre que o seu destino
É se perder, sem saída
Nesse humano labirinto
A que chamamos de vida
Arranjo instrumental:
Hélio Ramirez,
Paulo Timm e Hélio Mandeco
Arranjo vocal: Hélio
Mandeco
Violões aço e nylon:
Paulo Timm
Vilões aço e 12 cordas: Hélio
Mandeco
Baixo: Fabrício
Moura
Harmônica: Hélio
Ramirez
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Conceição canta Martim César
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