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| BEM-VINDOS |
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Martim César
é natural de Jaguarão, RS
Brasil, fronteira com o
Uruguai, vencedor do I
concurso nacional de poesia
"Rua dos Cataventos" da
Sociedade Mario Quintana
de Poesia, com o poema
"Da terra... o mar..."
e também do II concurso
da mesma entidade,
com o poema "Quando os
índios invadiram a Europa".
Vencedor (como letrista) do
III CIRIO (Canto Interuniver-
sitário Riograndense)
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| 1.
Par de doidos (Martim
César - Ricardo Fragoso)
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Vida minha,
vem comigo
Hoje sou eu que convido
A dançarmos esta valsa
Ambos livres pelo vento
Doido par em movimento
Sonhos na rua descalça Quem
nos vê nem desconfia
Que o bailar é a fantasia
De um amor no seu final
Vamos juntos nessa festa
Hoje é tudo o que nos resta
O amanhã... quem saberá?
Vem... me leva pelo braço
Meu suor no teu cansaço
Antes que o dia amanheça
Este é o tempo de nós dois
Pouco importa se depois
Tudo, enfim, desapareça
Quanto tempo tenho ainda?
Vem... a noite está tão linda
Escuta a força deste verso:
'Vamos celebrar o instante
Que o abraço dos amantes
Justifica o universo!’
E quando o sol pela vidraça
Desfizer a nossa farsa
E virmos que chegou a hora
Vida, irás por outro par
E eu não mais irei sonhar
É minha deixa de ir embora...
Ricardo Fragoso voz
e violão
Aluísio Rockembach acordeon
Fabrício “Pardal” Moura
baixo
Hélio Mandeco teclado
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| 2. Sombras
de Morfeu (Martim
César - Cardo Peixoto) |
Se de repente
o sol caísse
Feito um copo,
estilhaçado aos teus pés
E a lua para sempre resumisse
Em sua luz, a força oculta das marés
Noturnos homens caminhando
Como sombras pelo chão dos hemisférios
A Via Láctea no sem fim se navegando
Rio alado rumo a um porto de mistérios
Ainda assim te encontraria
Feito um lobo farejando a sua presa
Pois teu cheiro de mulher te denuncia
E o teu olhar é uma chama sempre
acesa
Se de repente a vida fosse
Não mais o infindo renascer dos dias
E sim a noite sucedendo a noite
Escuras praias sob o som das maresias
Cegos vultos na escuridão
Buscando a vida já ausente das retinas
Em um sombrio tempo de ilusão
Silhuetas negras que o luar não ilumina
Ainda assim te encontraria
Feito um lobo farejando a sua presa
Teu amor tem essa luz de poesia
De rio de estrelas rebentando mil represas
Cardo Peixoto
voz e violão
Leonardo Oxley piano
e cordas
Fabrício “Pardal” Moura
baixo
Jucá de Leon
bateria e shaker
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| 3. Passatempo
(Martim César
- Ricardo Fragoso)
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Quando falares
desse amor
Fala com jeito
Não é direito
Zombar assim da minha
dor
Quando falares desse amor
Mantém respeito
Dói no meu peito
Ainda o espinho dessa flor
Não zombarás!
Esse há de ser meu mandamento
Nunca, jamais
Não rias disso um só momento
Deixa-me em paz!
Se eu fui pra ti só passatempo
Que bem te faz
Ferir assim meu sentimento?
Quando falares desse amor
Não aches graça
Pode que faça
Um dia falta meu calor
Quando falares desse amor
Não faz pirraça
Que a vida passa...
E só o que não passa tem valor.
Ricardo Fragoso
voz e violão
Fabrício “Pardal” Moura
baixo
Jucá de Leon tamborim,
xequerê, prato e faca,
surdo, agogô, shaker, pratos e pandeiro
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| 4. Tigre
no jardim (Martim
César - Cardo Peixoto)
download
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Como domar
a fera que há em mim
Metade Nosferatu, outra metade Querubim?
Esse não querer, querendo assim
Sol branco de neve, lua de carmim?
Como exorcizar os fantasmas do porão
Metade paraíso, outra metade solidão
Esse ser que pensa, todo sensação
Fogo sobre o gelo, geleira no carvão?
E vou contar-te um
segredo, meu amor
Eu tenho medo de ter medo dessa dor
Sangue sobre o linho, vinho sobre a flor
No imenso azul marinho, mais um navegador
Como domar o tigre em meu jardim
Uma parte Kafkiana e outra parte de Merlin?
Esse olhar de cego que enxerga tanto assim
O claro do carbono, o escuro do jasmim?
Como iludir o tempo sempre
tão fugaz
No corpo rio veloz, na alma muito mais?
Ser que em tudo crê e diz que tanto
faz
Menino frente a Deus, guerreiro em plena
paz?
Cardo Peixoto voz
e violão
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| 5. Estrela
de Achernar (Martim
César - Ricardo Fragoso) |
ai a noite
sobre Órion
Caminho em outra dimensão
Vazio de mim
Retinas desviando astros
Estrada dos amores gastos
Começo que já teve fim
Ainda ontem, bela e clara,
No meu céu tu navegavas
Estrela na imensidão
Hoje fitando a galáxia
Toda a luz da Via Láctea
Não é mais do que neon
Nossa luz, astro fugaz
Só uma estrela cadente
Que avistei tarde demais...
Mas, afinal, o hoje é sempre
Meu amor, e quase sempre
O amanhã é nunca mais
Não há
noite em Achernar
Insone tenho o meu olhar
Vazio de mim
Vou buscar-te noutro plano
E esquecer que já passamos
Começo que já teve fim
* Alta, para os lados do leste, notamos
o caçador Órion
(dos gregos), constelação
símbolo do verão, onde brilham,
bem no centro, as Três Marias.
**Achernar, a estrela mais brilhante da
constelação do
Eridanus, o grande rio do sul.
Ricardo Fragoso voz
e violão
Fabrício “Pardal” Moura
baixo
Ricardo “Dija” Vaz guitarra
Jucá de Leon bateria,
cajón e shaker
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| 6. Quase
morro de saudade (Martim
César - Cardo Peixoto) |
Vale ver o teu
sorriso
Despertando a madrugada
Vale ver a batucada
Neste samba de improviso
Sem horário, sem aviso
Volto neste sentimento
Fiquei longe tanto tempo
Desse sonho que eu preciso
Eu que andava tão ausente
Do chorar de um violão
Esqueci que o coração
Não se cala, nem consente
Quer dizer tudo o que sente
Sem temer que a poesia
Traga junto a nostalgia
Que não tem nem dó da gente
É... quase morro de saudade
Quase morro de saudade, sim
Tanto tempo que eu fiquei assim
Longe da felicidade
De te ver perto de mim
Cardo Peixoto voz
e violão
Egbert Parada violão
solo
Fabrício “Pardal” Moura
baixo
Jucá de Leon congas,
reco-reco, prato de condução
e shaker
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| 7. Feito
chuva no deserto (Martim
César - Ricardo Fragoso) |
Guardo na
moldura das retinas
Essa imagem que me ensina
Que é possível ser feliz
Teus passos desbravando as fronteiras
Desfazendo as trincheiras
Que inventei pra o meu país
Eu vinha de andar léguas
a fio
Nesses caminhos vazios
Sem a paz de algum remanso
Quando achei teu rumo certo
Feito sombra em campo aberto
Pra embalar o meu descanso
Mas depois que deste
voz ao meu silêncio
Que me mostraste
o mundo imenso
Onde eu era solidão
Um dia inventaste a despedida
Me deixando em tua partida
Para sempre na estação
Ah!Hoje sei que é em
vão toda essa espera
Que já passou a primavera
E o nosso inverno já chegou
Mas também sei que é melhor
minha ilusão
Do que não ter no coração
A lembrança de um amor
Eu vinha de andar sem mais
destino
Que esse doido desatino
De viver só por viver
Quando descobri teu rumo certo...
Foste chuva no deserto
Que faz tudo florescer
Ricardo Fragoso
voz e violão
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| 8. Sol na
vidraça (Martim
César - Cardo Peixoto) |
Hoje eu
quero o teu abraço... nada mais
Sentir o teu calor bem junto a mim
Esquecer que todo sonho se desfaz
Que toda paz, cedo ou tarde, tem um fim
Eu sei bem que já estamos
tão distantes
Que soa estranho estar pedindo por teus
braços
Mas toda a vida vale menos que um instante
Se o importante não é o tempo,
nem o espaço
Hoje eu quero o teu olhar
dentro do meu
E em teu abrigo ouvir contigo uma canção
Com o gosto da fruta arrancada do pé
Da brisa da mata desafiando o verão
Do cheiro da terra depois que choveu
Da água bebida na palma da mão
Eu não posso deter esse tempo que
passa
Essa vida que corre e se vai sem porquê
Sei que vou esquecer esse sol na vidraça
Mas não há quem me faça
esquecer de você!
Cardo Peixoto voz
e violão
Fabrícixo “Pardal” Moura
baixo
Neco Eidelwein sax
Jucá de Leon cajón,
caixa, bongô, shaker e pratos
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| 9. Máscaras
(poema) (Martim
César) download |
O amor é
um ator de muitas faces
Que não distingue dentre elas a real
Que de tanto encenar seus mil disfarces
Seu próprio rosto lhe parece artificial
Qual fosse um rei que a todos governasse
Ditando regras mais além do bem e
do mal
O amor que morre é o mesmo amor que
nasce
Muda o cenário mas o enredo é
sempre igual
Quem intenta governá-lo seu escravo
se revela
Quem o vê na liberdade se descobre
em sua cela
Quem o quer sob seu jugo morrerá
seu prisioneiro
E, no entanto, quem poderia evitar sua
investida?
Se, afinal, é o amor qual um ator
na própria vida:
Esconde a face... sob o seu rosto verdadeiro!
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| 10. Vinho
tinto sob a flor (Martim
César - Paulo Timm) |
Eu
Sou você e todo mundo
O infinito num segundo
O universo em distensão
Eu
Sou a parte desse tudo
Esse vinho onde saúdo
O sangue em nosso coração
Eu
Sou a vida que me resta
Sou a lágrima que empresta
Luz a um rosto de mulher
Eu
Homem feito, sou menino
Nada sei do meu destino
Vivo como Deus quiser
Eu
Sou a sombra em teu sorriso
O idioma mais preciso
Quando falo de um amor
Eu
Sou o inverso do não-ser
Brasa viva em teu viver
Vinho tinto sob a flor
Ricardo Fragoso voz
e violão
Cardo Peixoto voz
Fabrício “Pardal” Moura
baixo
Jucá de Leon vaso,
djembe, berimbau,
reco-reco, pau-de-chuva, caxixi, pim,
guizos, latas e pratos
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| 11. Diálogo
de surdos (Martim
César - Paulo Timm)
download
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- Que bom te ver,
já faz um tempo!
- Tem muito vento... pode chover
- Ah! eu vou bem...sigo o meu rumo
- Não...eu não fumo...mas agradeço
- Meu endereço? qualquer lugar...
- Viver num bar...não é normal...
- Faz muito mal não ter amigos
- Corro perigo? Mas como assim?
- Pior prá mim é o cotidiano
- Imenso engano é a má bebida
- A minha vida é quase boa
- Viver à toa é estar sozinho
- Beber um vinho...filosofar...
- Mas ter um lar não é ruim!!!
- Boêmio, sim...é o que me
alegra
- A minha regra é ser comum
- Mas cada um sabe o que faz
- Viver em paz é o que eu preciso
- O paraíso?...já não
existe!
- Triste é não ter alguém
por nós
- Estamos sós...todos no mundo
- Bem lá no fundo, me dás
razão
- O teu sermão guarda pros teus
- Adeus...adeus...em boa hora
- Pode ir embora com tua rotina
- A vida ensina...é só escutar
- A vida ensina...é só escutar!!!
Ricardo Fragoso
voz e violão
Paulo Timm voz
Fabrício “Pardal” Moura
baixo
Jucá de Leon caixa
de fósforos, surdo, prato e faca,
shaker, pandeiro, garrafas de cerveja, tamborim
e reco-reco
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| 12. Navio
fantasma (Martim
César - Cardo Peixoto) |
Talvez somente
possa um blues
Me dar um pouco dessa luz
Que me roubou o teu olhar
Escuro som na escuridão
Só sonho, sombra, assombração
Navio fantasma em alto mar
Quem sabe seja toda dor
Razão maior de alguma flor
Brotar em pleno lamaçal
Por isso, dona, eu quero agora
Singrar o mundo, mar afora
De encontro ao tempo, ao temporal
Solto as amarras dessa estima
Velas abertas frente à vida
Sem ter mais rumo que o futuro
Sem ter mais sol que o meu olhar
Vou navegar mais de mil milhas
Deixar meus passos noutras ilhas
Perder-me assim... longe de mim
Pra nunca mais poder voltar!
Cardo Peixoto voz
e violão
Hélio Mandeco guitarra
Marcos Fragoso harmônica
Fabrício “Pardal” Moura
baixo
Jucá de Leon bateria
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| 13. Filme
antigo (Martim César
- Ricardo Fragoso) |
Como farei
quando eu buscar
O meu olhar dentro do teu
E tão somente encontrar
O céu nublado de um adeus?
Como farei quando eu falar
amor
E essa palavra já não fizer
sentido?
Quando todo o tempo que passou
Não for mais do que um filme antigo?
Como farei quando eu falar
amor
E essa palavra já não fizer
sentido?
Quando todo o tempo que passou
Não for mais do que um filme antigo?
Meu amor, como farei?
Eu que não sei viver assim...
Eu que viajo nessas noites tão escuras
Eu que me engano no trajeto dessas curvas
Eu que me perco
e não me encontro mais em mim?
Como farei quando eu disser
Que o que antes era nossa vida
Tornou-se uma vida qualquer
Perda, por fim, consentida?
Quando eu olhar o nosso olhar
Em algum retrato já esmaecido
E tudo o que fomos não for mais
Que o preto-e-branco de um filme antigo?
Ricardo Fragoso voz
e violão
Jucá de Leon bateria
e cajón
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| 14. Cara
ou coroa (Martim
César - Paulo Timm) |
Cara ou coroa
Quando a moeda sai da mão
Coroa ou cara
Quando a moeda cai no chão É
azar ou sorte, vida ou morte
Sim ou não...
Muda tudo, meu irmão!!!
Um pensou que o seu caminho
Era feito só de espinhos
Mas a vida tinha flor
E deu-lhe um lar
Outro tinha o seu amor
E algum dia despertou
Tendo só a solidão
No seu lugar
Cara ou coroa
Vida boa ou vida má
Ninguém sabe o que vai dar
Cara ou coroa
Vida boa ou vida má
Só Deus sabe o que virá!!!
Ricardo Fragoso voz
Cardo Peixoto voz
Paulo Timm violão
Fabrício “Pardal” Moura
baixo
Jucá de Leon bateria
e cuíca |
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