1. Par de doidos (Martim
César - Ricardo Fragoso)
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2. Sombras de Morfeu (Martim
César - Cardo Peixoto)
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3. Passatempo (Martim
César - Ricardo Fragoso)
4. Tigre no jardim (Martim
César - Cardo Peixoto)
5. Estrela de Achernar (Martim
César - Ricardo Fragoso)
6. Quase morro de saudade (Martim
César - Cardo Peixoto)
7. Feito chuva no deserto (Martim
César - Ricardo Fragoso)
8. Sol na vidraça (Martim
César - Cardo Peixoto)
9. Máscaras (poema) (Martim
César)
10. Vinho tinto sob a flor (Martim
César - Paulo Timm)
11. Diálogo de surdos (Martim
César - Paulo Timm)
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12. Navio fantasma (Martim
César - Cardo Peixoto)
13. Filme antigo (Martim
César - Ricardo Fragoso)
14. Cara ou coroa (Martim
César - Paulo Timm)
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que tocam nesse CD
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Apresentação
Alguém, em sua
última noite, convida a vida para
dançar uma valsa. O par (de doidos)
sai a rodopiar como se o mundo não
existisse (como se a manhã - ou o
amanhã - jamais chegasse). Em um
mundo pós-apocalíptico, sombrio,
um predador fareja a sua presa e descobre,
talvez, (nessa praia eternamente escura)
que é ele a caça, não
o caçador. O tempo passa (desde aquele
das tábuas de Moisés copiando
as leis) e um homem (frágil, falho,
imperfeito) inventa um novo mandamento:
não zombarás! Outro sonha
(e como Borges – o gênio cego
que tudo viu) e imagina um tigre em seu
jardim (o claro do carbono, o escuro do
jasmim). O mesmo ser (ou pode ser outro,
posto que todos são um só)
viaja por constelações, galáxias,
sistemas planetários (tal qual iremos
fazer em um dia que ainda está distante,
mas virá). Órion, Achernar,
Betelgeuse, Adelbaran... depois de volta
à casa... e a saudade (esse sentimento
estranho e, muitas vezes, mais forte que
a razão) faz com que acorde e quase
morra. Quase... afinal, a valsa com a vida
ainda está em meio. A flecha está
no ar. Os dados estão rolando. Outro
homem (o mesmo?) caminha sobre o deserto
e, depois de longa espera, sente a chuva
sobre o seu rosto e vê as sementes
(latentes) germinarem. E vê a areia
se transformar em jardim. O sol, ainda tímido,
começa a transpor a vidraça...
a valsa está chegando ao fim. É
quando um mascarado irrompe na sala e, qual
se fosse a morte num conto de Alan Poe,
diz que faz parte de todos nós...
e ao retirar o seu disfarce revela outro
e - sob esse - mais outro e assim sucessivamente.
Mas todos já sabem que esse ser terrível
e brincalhão é simplesmente
o amor. Ao passar entre os convivas e por
entre o casal que ainda dança, ele
tira uma rosa da lapela e, desastrado, derruba
uma taça de vinho (o sangue dos amantes
– sugere em reverência) e o
líquido escorre sob a flor, parecendo
uma lágrima caindo sobre a face de
uma mulher. Rubra lágrima. Numa mesa,
dois amigos (que são um só,
em faces diferentes) se encontram depois
de 30 ou 40 anos e pelos efeitos do tempo
já não (se) escutam muito
bem. Eis o lar e o bar (a cigarra e a formiga)
se confrontando num diálogo de surdos.
Finalmente a dança termina. Os presentes
se despedem. Sobre um navio (fantasma) um
navegante sai a singrar seus novos mares.
Outro (o mesmo?) será visto tentando
não sucumbir em curvas noturnas e
perigosas, qual fosse um novo James Dean,
num filme em preto e branco. A manhã
(ou o amanhã) agora está na
janela. A valsa terminou. Xeque-mate. O
quebra-cabeças, enfim, está
completo (ou quase). A vida - em sua última
linha – vai embora dizendo para cada
um se foi sorte ou foi azar:
cara ou coroa, caro
amigo?!
Martim César - 2007
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Ficha Técnica
Gravado no Estúdio
Digital
Técnico de gravação:
Hélio Mandeco
Mixagem: Paulo Timm,
Cardo Peixoto, Hélio Mandeco, Ricardo
Fragoso
Masterização: Marcos
Abeu
Produção musical: Cardo
Peixoto, Paulo Timm, Ricardo Fragoso
Produção executiva: Martim
César
Projeto Gráfico: Nativudesign
| www.nativudesign.com.br
Direção de arte: Emerson
Ferreira e Valder Valeirão
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