|
Da terra, o mar...
O menino olha o oceano, sobre
o monte
E não distingue onde é céu
e onde é mar
E sonha, um dia, conhecer esse lugar
Onde Deus une dois mundos
no horizonte
E, tão azul como as
águas, seu olhar
Imita um céu de primavera em sua
fronte
A mesma cor, quem sabe até a mesma
fonte
Têm seus anseios de partir e navegar
E parte, enfim, a procurar
o que sonhou
Sem encontrar nesse outro mar, desconhecido
Toda a magia que, outrora, imaginou
Um dia, homem, fita o oceano,
comovido
Da mesma praia onde a infância, em
vão, deixou
E já não entende
o porquê de haver partido !!!
1º
Lugar no Concurso nacional de poesia:
Rua dos Cataventos - SMQP
|
De la tierra, el mar...
El niño mira el océano,
dulcemente
Y no divisa dónde es cielo y dónde
es mar
Y sueña un día conocer ese
lugar
Donde Dios pone dos mundos frente a frente
Y tan azul como las aguas,
su mirar
Imita un cielo que le envuelve claramente
El mismo sol, quizás también
la misma fuente
Tiene sus anhelos de partir y navegar
Y por fín parte buscando
aquello que soñó
Sin encontrar en ese otro mar, desconocido
Toda la magia que una vez imaginó
Un día, hombre,
mira el océano, conmovido
De la misma playa donde la infancia abandonó
Y ya no comprende
la razón de haber partido.
....................................................................................................
|
Rumos desviados
Amava,
Como amam as meninas,
Mais sonho que realidade,
Mais dias de festa
Do que dia-a-dia.
Pintava-se,
Horas a fio, diante do espelho,
E o seu principal zelo
Era o de não parecer criança
Diante do amado.
Pensava,
Como costumam pensar as meninas,
Que a infância inferioriza
E que os adultos
É que são felizes.
Sonhava
Brilhar mais do que podia,
Encantada com artistas
E estórias de sucesso
De fínal sempre feliz.
|
Sin rumbo
Amaba,
Como suelen amar las niñas,
Más sueño que realidad,
Más días de fiesta
Que día a día.
Se pintaba,
Horas sin fín frente al espejo,
Y su principal cuidado
Era el de no parecer ingenua
Delante de su amado.
Pensaba,
Como suelen pensar las niñas,
Que la infancia inferioriza,
Y que los adultos
Sí que son felíces.
Soñaba
Lucir más que las estrellas,
Encantada con artistas
E historias de suceso
De fínal siempre felíz.
....................................................................................................
|
Pequena notícia
de todos os dias
Pequena notícia de
todos os dias
Nasceu como nascem as flores nos campos,
Sem glória, sem festa, sem espera
ou cuidado.
Simplesmente nasceu na
notícia que ouvi.
Houve um lar uma vez
E paixões na meninice.
Mas não houve amor, certamente.
Porque não houve juventude...
Porque não houve tempo para a juventude.
Partiu sem conhecer o amor que haveria,
algum dia...
Mas que agora...
Ninguém jamais saberá como
seria.
Houve paz, mas efêmera.
E amigos, talvez.
Houve vida
Que a guerra roubou bruscamente.
Morreram seus sonhos de adolescente,
Abortados por bandeiras e ideais
Que, talvez, no fundo, nunca foram seus.
Houve vida,
Ainda tanta por viver,
E, no entanto,
Esvaiu-se inteira
De um estúpido ferimento
Que esperava não
sofrer jamais.
A notícia que ouvi
Foi apenas uma gota
Na superfície de um imenso oceano.
Nenhum alarme...
Nenhuma mudança na fisionomia
dos senhores do mundo,
Porque,
Afínal de contas,
As flores que nascem nos campos
não têm valor!
|
Pequeña notícia
de todos los días
Nació como nacen las
flores en el campo,
Sin pena ni gloria, sin fiesta o cuidado.
Simplemente nació
en la notícia que escuché.
Hubo un hogar alguna vez
Y pasiones en la adolescencia,
Pero no hubo amor ciertamente.
Porque no hubo juventud...
Porque no hubo tiempo para su juventud.
Partió sin conocer ese amor que llegaría,
algún día.
Y sin embargo, ahora...
Nadie jamás va a saber como sería.
Hubo paz, pero efímera,
Y amigos, tal vez.
Hubo vida
Que la guerra le robó muy temprano.
Murieron sus sueños
de adolescente
Abortados por banderas e ideales
Que por cierto nunca fueron suyos.
Hubo vida
Aún tanta por vivir,
Y no obstante,
Se escurrió entera de una herida
estúpida
Que no esperaba haber
sufrido jamás.
La notícia que escuché
Fue tan sólo una gota
En la superfície de un inmenso océano.
Ninguna alarma...
Ni el más suave temblor en la fisonomía
de los señores del mundo,
Porque,
Al fín y al cabo,
Las flores que nacen en los campos no tienen
valor.
....................................................................................................
Veja outros
livros de Martim César
Poemas do baú do tempo
Sob a luz de velas
Dez sonetos delirantes (e um Quixote sem
cavalo)
.......................................................................................................
| Compre este
livro
Clique
aqui para comprar este livro
|