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[Lançamento previsto para maio de 2007]
O mais recente projeto, desenvolvido em parceria com Cardo Peixoto, Ricardo Fragoso e participação especial de Paulo Timm | mais
 
 
 
   
 
  Martim César | Literatura | Dez sonetos delirantes... | Poemas  
     

 

MÁSCARA

O amor é um ator de muitas faces
Que não distingue dentre elas a real
Que de tanto encenar seus mil disfarces
Seu próprio rosto lhe parece artificial

Qual fosse um rei que a todos governasse
Ditando regras mais além do bem e do mal
O amor que morre é o mesmo amor que nasce
Muda o cenário mas o enredo é sempre igual

Quem intenta governá-lo, seu escravo se revela
Quem o vê na liberdade se descobre em sua cela
Quem o quer sob seu jugo morrerá seu prisioneiro

E, no entanto, quem poderia evitar sua investida?
Se, afinal, é o amor qual um ator na própria vida:
Esconde a face... sob o seu rosto verdadeiro!

DELÍRIO

Deliro! E em meu delírio, feito um doido, eu pressinto
Que hoje me encontro sob as regras de outro plano
Onde só digo a verdade - na verdade - quando minto
Onde o tempo não existe e a vida é um grande engano

Um minotauro corre a esmo em seu infindo labirinto
Temeroso de encontrar, outra vez, um ser humano
Há milênios não compreende seu destino desumano
De viver em um pesadelo e morrer por ser distinto

Fera ou homem? Neste quadro em que eu me pinto
Pouco importa. São tão iguais logo após cair o pano
E se eu sou ambos, toda a dor que imponho e sinto

É duplicada pelo espelho, onde vejo um ser extinto
Quero voltar à realidade, mas é tarde!... o cotidiano
É um vampiro confundido entre sangue e vinho tinto.

UM INTRUSO NO PORÃO

Abro a porta... a escuridão se esconde desconfiada
Não me reconhece ou acaso só recorde vagamente
Sou um intruso, depois de tanto tempo ausente
E, contudo, sou o mesmo, embora a face tão mudada

Então desço as escadas do passado lentamente
(Parte da minha vida se desperta assombrada)
Pareço algum fantasma que retorna à sua morada
Depois de andar por longa noite em meio à gente

Pareço algum fantasma e acaso sou, mas estou vivo!
Embora em mim haja um sem fim de coisas mortas
Que pesam tanto e das quais nem lembro seus motivos...

Estou vivo ou estou morto? Afinal, o que importa?
Sou personagem de uma história que eu li num velho livro
Melhor deixar assim... subir os meus degraus, fechar a porta!



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